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Como o Ocidente afastou a África da Rússia

Em votação na Assembleia Geral da ONU, vários países africanos decidiram quebrar sua neutralidade e votar contra a Rússia. Uma escolha devido à pressão americana, constante desde o início do conflito na Ucrânia.

Na quarta-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em Nova York, 143 países votaram a favor de uma resolução que declara "ilegal" a anexação de quatro regiões ucranianas. Apenas cinco países se opuseram, incluindo nenhum africano. Mas ao contrário das últimas votações na ONU, os países africanos evitaram, para alguns deles, abster-se de votar a favor da resolução.

Recusar-se a votar a condenação da invasão russa na Ucrânia, Marrocos, Senegal ou mesmo Angola e Madagáscar tinha preferido abster-se previamente de uns, e não concorrer a eleições para outros. Uma neutralidade compreensível, integrando-se totalmenteuma estratégia de não alinhamento histórico por parte da África que já havia sofrido todo o impacto da primeira Guerra Fria.

Macky Sall sai de sua neutralidade

Desta vez, vários países africanos, até então neutros, optaram pelo voto contra a Rússia. Assim, o Gabão votou a favor da resolução, tal como Rabat, que na altura não votou. meramente acompanhando "com preocupação e preocupação o desenvolvimento da situação entre a Ucrânia e a Federação Russa". Para o Senegal, a escolha é mais surpreendente: o atual presidente da União Africana, Macky Sall, passou de uma abstenção lógica a um voto a favor da Ucrânia.

Washington vem pressionando a África há várias semanas. Notavelmente durante uma viagem à África Oriental pela diplomata americana Linda Thomas-Greenfield, que disse que os países africanos poderiam "comprar produtos agrícolas russos, incluindo fertilizantes e trigo", mas que os Estados Unidos recusariam qualquer compromisso de longo prazo com a Rússia. Deste modo, Uganda teve que desistir da compra de combustível russo. Mas o país de Museveni, no entanto, se absteve, como Argélia, Togo, Burundi, Sudão do Sul e Sudão.

lobby americano

Ainda mais surpreendente do que o Senegal, a Eritreia se absteve de votar, onde geralmente votou a favor de Moscou na ONU. Somente a África Austral finalmente manteve sua linha, a do não alinhamento, abstendo-se: África do Sul, Namíbia, Tanzânia, Zimbábue e Eswatini evitaram falar.

Por fim, do lado do Mali ou da República Centro-Africana, com fama de próximos da Rússia, bem como do lado da Guiné, optaram também pela abstenção. Quanto ao Burkina Faso, que acaba de sofrer um novo golpe, não participou na votação.

Não se trata, portanto, de uma revolução, mas os países africanos aparentemente, para alguns, revisaram suas respectivas posições. O resultado do intenso lobby americano. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, havia, poucos dias antes desta votação na ONU, indicado que “chegou a hora de se comprometer em nome da Ucrânia. Já não se trata de abstenções, palavras tranquilizadoras ou equívocos sob o pretexto da neutralidade. Estão em jogo os princípios fundadores da Carta das Nações Unidas”. Uma mensagem dirigida, em meias palavras, à África.

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